quinta-feira, 21 de abril de 2011



H
oje tive um final de noite muito difícil,
Estava me sentindo só,
precisando encontrar algo doce, sutil, agradável ...
necessitando de idéias, calma, suplicando por luz.

Foi então que me lembrei daquela menina simples,
que habitava em uma pequena cabana no meio da floresta,
Sophie.

Foi nela que procurei ajuda quando tudo estava ruim,
foi nela que encontrei o animo que tanto precisei,
ela que me entregou fé, 
me mostrou como tudo poderia ser melhor do que realmente era.

E fui então ao seu encontro,
ao longe avistei sua casinha,
caminhei apressada em direção,
bati na porta uma vez ninguém atendeu,
duas vezes, a mesma coisa,
três vezes, esperei uma resposta e só recebi um longo e sufocante silêncio.

Onde será que estaria minha pequena ?
Será que estaria mal ?
Essas perguntas ecoaram em minha cabeça,
e resolvi, por impulso abrir a porta.

Dentro da cabana tudo estava quieto, frio,
caminhei até sua pequena cama,
e ali havia um bilhete com meu nome,
peguei com as mãos trêmulas,
e li, incrédula as linhas que seguia assim: 

" Olá, 
 pelo que te conheço aposto que estará agora perguntando onde estarei,
 mas não se preocupe, estou bem !
 Tive que viajar e não sei quando volto, 
 peço desde já que não fique triste,
 Esse há muito tempo não é mais o meu lugar,
 vou pra longe, e só quero pedir que deixe meu espaço guardado dentro de ti,
 pois um dia irei voltar.
                                Com amor,
                                           Sophie. "


Ela se foi ...
mas ainda espero, olhando pela janela,
o dia que aparecerá sorrindo,
e voltará pra dentro de mim !






sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Primavera



Era primavera,
os folhas antes cobertas de neve, tinha agora uma cor esplêndida,
a flores exalavam um aroma que pairava pelo ar,
as borboletas dançavam felizes, voando sobre o jardim que dê longe causava inveja,
a grama estava ainda molhada,
e o amanhecer era divino, belíssimo, surreal.

Quando Sophie despertara,
notara que algo havia mudado,
e saiu apressada para fora de sua cabana,
colocou os pés descalços na grama,
seus olhos estavam espantados,
ela que passava o inverno todo em melancolia,
presa dentro de si,
agora estava feliz,
correu pelo grande campo verde,
sentiu o vento leve a conduzindo,
mas parou de uma vez, quando notou que havia mais alguém ali,
olhou ao redor, e viu, atrás de uma grande arvore, uma pequena menina,
ficou confusa, e fixou seus grandes olhos naquela figura excêntrica.
e resolveu chegar mais perto, pois naquele dia, ela nada temia.

A pequena, por sua vez, saiu de seu esconderijo,
era uma garotinha linda, com longos cachos dourados sobre o ombro.
tinha olhos azuis, e uma pele tão branca como a neve,
rosto pequeno, de traços singelos.

Sophie enfim resolveu dizer algo:

- Olá pequena menina, o que fazes perdida aqui ?

Essa, envergonhada, disse com voz rouca:
- Estava procurando por você ! - e notou que Sophie não entendera o que ela disse, e continuou -
Há tempos escuto ao longe seu cantar, suas risadas, mas, não tenho mais ouvido isso, só sussurros.

Sophie pensou, e baixou a cabeça.
a menina se aproximou, e perguntou se podia brincar com ela.
como resposta, Sophie deu um passo para trás,
olhou a menina e disse:

- Brincar ? Mas nem sei quem és, não sei de onde vens, e nem porque. Não à conheço.

a menina sorriu, e disse com um olhar intenso e curioso:

- Eu sou o alivio temporário de sua tristeza, e estarei contigo enquanto a primavera durar.

Sophie então percebeu,
e ficou triste, porque isso significava que não iria durar muito, e baixou novamente o olhar.

a menina chegando bem perto, segurou suas mãos frias, e a olhou dizendo:

- Não fique triste, posso ser breve como o luar, passageira como tantas outras coisas,
mas estou disposta a te fazer sorrir.

Então elas sairam juntas, correndo e brincando.
e algo em Sophie dizia que aquela primavera jamais acabaria.

Depois desse dia,
Sophie não voltou a chorar,
apenas sorria, feliz, com o peito cheio de alegria.
pois sabia, que aquela menina um dia voltaria.

~~


Texto feito em:
11/02/11 :  08:21hrs

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Bosque perdido ...





Ela entrara no bosque frio, desolado e sem qualquer vestígio de vida,
Estava usando um vestido longe e delicado, de cor clara.
Usava uma capa cinza escura que sua avó lhe deu em seu ultimo aniversário,
no pescoço havia uma corrente com uma aliança presa,
o vento balançava seus cabelos longos e escuros como a noite,
nele ela usava uma fita lilás, onde de lado deu um pequeno laço.

Seu rosto estava pálido,
suas bochechas e os lábios rosados do frio,
tinha em suas pequenas mãos uma caixinha de veludo vermelha,
cujo interior ninguém sabia o que havia.

Ela andava em passos lentos,
pisava devagar sobre as folhas secas,
estava com o olhar perdido e triste.
caminhou por minutos,
e resolveu se sentar debaixo de um carvalho,
cujas folhas formara um longo tapete ao chão.

Abriu a caixinha e lá estava a aliança que completava o par
que em seu pescoço estava.

Ela tinha dentro de si vários sentimentos,
culpa, frustração, tristeza, desanimo e incertezas,
lhe faltava esperança,
Esperança pra sentir que tudo iria melhorar,
que o inverno iria logo passar.
que o vento em breve se tornaria fresco e leve,
e que tudo voltaria ao seu devido lugar.

Ela desejava que assim fosse.

Mas, ao longe pode ver a realidade chegar
em sua pequenina cabana bater,
ela recuperou o fôlego, se levantou e foi-se pro seu lar.

mas não notara que acabara esquecendo ali,
sua caixinha,
sua vida, seu tesouro.

caixinha que jamais voltou a encontrar.
depois disso, não havia mais vida na pequena Sophie,
ela acabou desistindo de tudo,
até de si mesma.
e o fim não tardou a chegar.

~~

Texto feito em: 27/01/2011
00:21 hrs.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Voando ...







A garota, antes cheia de raízes e marcas desagradáveis estava mudando,
lentamente arrumou cada pedacinho do que iria precisar,
guardou cada um em seu lugar secreto,
demorou bastante tempo,
mas enfim o dia chegou,
seu par de asas de papel estava pronto.

Parecia frágil e não tão seguro,
ela olhou pra eles como se fosse sua maior batalha,
viu em cada curva um suor que derramou,
um orgulho que deixou pra trás,
uma ferida que forçou a cicatrizar,
e um baú enorme com tudo aquilo que a atrapalhava a viver.

Ela estava feliz,
porque até ali, ela sempre perdeu todas as lutas,
perdas cheias de lágrimas, frustrações e desânimos.
mas dessa vez não, ela fez tudo da maneira que achou que seria perfeita.
um grande passo pro fim da infelicidade daquele que tinha seu coração.
daquele que ela amava por completo. - o vento !


Enfim se levantou, olhou pra baixo e percebeu o quão alto estava,
ela havia chegado ali, com muito esforço e isso mantinha nela um sorriso enorme e sincero.
sabia que poderia falhar,
sabia que algo poderia dar errado com seu par de asas,
mas ela queria tentar,
estava disposta e tinha motivos suficientes pra seguir enfrente.

Com cuidado pegou suas asas,
passou os dedos delicadamente no seu maior tesouro,
e se jogou montanha abaixo ....

Seu coração disparou,
mas o tempo se fechou,
nada daquilo o agradou,
apenas o magoou,
o sorriso de Sophie foi se desfazendo,
ela não entendia o porque do desagrado do vento,
porque não compreendeu que ela só queria o agradar ?
que só queria melhorar ?
ela não sabia, apenas não sabia.

Aos poucos suas asas foram se despedaçando ...
ela olhou pro lado e viu as pequeninas partes ao vento forte.

Ela estava caindo,
estava caindo e isso a deixou desesperada.

O vento a fez rodar e rodar,
suas asas não mais existiam,
e caiu com toda força no chão frio.

Ela põe-se a chorar,
chorava por ter falhado,
chorava porque seu coração foi partido em pedaços,
junto com suas asas.

Será que o vento não notara seu esforço ?
será que ele não via que ela deu o melhor de si ?
Será que não estava obvio que ela só queria o melhor pra eles ?

Não, ele não viu.
e a lançou montanha abaixo.

Ela ainda esta lá,
de joelhos, chorando, e se sentindo fracassada.
mas em seus pensamentos eu sei que,
em breve tentara voar novamente,
afinal, ela viveu pra isso ...
pra voar ... junto ao seu amado e querido vento.

~~

Texto feito em 26/01/2011
00:30 hrs

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Escolha e renúncia


Naquela noite o aeroporto estava cheio de pessoas, indo e vindo,
Sophia se sentia mal, com tantos empurrões e pedidos de desculpas, 
ditos forçadamente no meio da irritação e da raiva que ela podia notar em cada um.

Seu voou iria sair em menos de 30 minutos,
ela estava sentada, com sua bolsa pequena sobre o colo,
e com seu livro preferido em suas mãos que suavam.
estava tímida com alguns olhares que notara sobre ela,
mas isso não há fazia mudar o rumo de seus pensamentos.
estava preocupada e ansiosa.

Adorava sua vida ali,
adorava sua familia, sua mãe e suas irmãs,
mas sabia que tinha que ir,
tinha que deixar tudo aquilo por motivos bem maiores que sua simples vontade de ficar.

Ela sem ao menos notar, um senhor sentou ao seu lado, 
ficou minutos olhando pra ela, até que ela notou,
corou e perguntou se podia ajudar em algo.

Ele balançou a cabeça negativamente, 
fez uma pausa e perguntou sobre o livro,
ela aproveitando a brecha pra mudar seus pensamentos o respondeu, 
um pouco constrangida.
Ele sorriu.

-Voou atrasado ? - ele pergunta, como ar de naturalidade.

Ela diz que não, e abaixa a cabeça.
Sua expressão esta triste,
por dentro ela esta chorando, porque não quer nada daquilo.
Ela não quer ter que partir. 

Ele, demonstrando que sabia o que se passava, colocou levemente a mão sobre seu ombro,
olhou no fundo dos olhos dela e disse :

- Filha, eu não tive a melhor vida, sofri demais, perdi pessoas que amava por tomar atitudes que eu sentia que não deveria tomar, 
mas tomei, porque parecia a unica opção racional. 
Mas não era, nunca foi e nunca será.
Hoje sou viuvo, meus únicos dois filhos mal falam comigo e passo meus dias trabalhando com algo que eu não queria.
Se eu pudesse dar um conselho a alguém seria esse.
Não deixe quem você ama, por mais que a situação queira te forçar a isso,
não vire as costas pra pessoas que te ama, por mais que elas demonstre ser merecedoras disso.
e o mais importante ... siga teu coração.

Depois disso, ele sorriu pra ela, se levantou e ela o perdeu de vista no meio daquela multidão de pessoas.
Ela ficou ali, parada pensando naquele homem e em suas palavras. 
Deu um sorriso largo, e saiu dali.

O que ela fez depois ?

Bem, acho que não preciso contar.

~~

Texto feito dia: 25/01/2011
10:46

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Eu vi meu anjo ...





'Acordo no meio da noite,
o vento fazendo as folhas balançarem me diz que esta frio lá fora,
o latido do cachorro ao longe mostra que talvez haja mais alguém acordado por ai,
mas o que me chama a atenção é os passos que escuto fora de meu quarto.

Prendo minha respiração, me encolho e fico em silêncio,
sou tomada por uma imensa curiosidade,
será que há alguém ali ?
não me contenho e sento sobre a cama,
coloco os pés no chão frio e um arrepio desumano sobe pela espinha.

caminho em passos lentos e silenciosos,
quem poderá ter invadido, minha casa, meu mundo ?
será que não notaram a placa na porta da frente dizendo que estou fechada pra qualquer visita ?

O relógio marca 2:13 da manhã,
continuo rumo a porta,
coloco as mãos na maçaneta, essa também esta fria.
e vagarosamente abro a porta,
e uma claridade me cega por alguns instantes,
cubro meus olhos com as mangas de minha blusa.

O silêncio é quebrado quando uma voz doce e feminina que diz :

- Será que a senhorita poderia me ajudar ?

Quando abro os olhos me deparo com uma menininha,
pequena, de traços singelos, boca rosada,
pele branquinha e dois lindos pares de esmeraldas que brilhavam no escuro enquanto me olhava.
na expressão dela havia certa inquietação,
e ao mesmo tempo um ar de euforia e divertimento.

Eu, sem a menor idéia de como ela poderia ter entrado ali, perguntei :

- Quem é você, qual seu nome ?

Ela, mas uma vez com a expressão quase séria, e com um sorriso triste volta a me perguntar :

- Será que a senhorita poderia me ajudar ?

Confesso que fiquei intrigada, sobre o que ela falava. Disse :

- Claro que posso, me diga o que queres.

Foi nesse momento que vi o sorriso mais lindo de todo o universo,
todo seu rosto se iluminou. E ela começou a contar ...

- Eu tenho uma tarefa a fazer aqui, e pra isso preciso que a senhorita se acompanhe.

Eu já estava apaixonada por aquela garotinha,
e deixei que ela segurasse minha mão e me levasse pro lugar que até agora não mencionara.

Ela me pediu que eu fechasse os olhos, eu obedeci , mesmo com um pouco de receio.

E em menos de um minuto ela me fez ir em um momento muito especial da minha vida.
pude me ver sorrindo, em um parque, vi minha mãe e minha irmãs, tão eufóricas quanto eu.

Eu olhei espantada pra menininha, procurando respostas, do porque daquilo, como era possível,
mas ela estava com os olhos fixos pra cena que se desenrolava na nossa frente,
calada e perdida em pensamentos que eu estava curiosa pra saber.

Como se não bastasse, fomos pulando de cenas e cenas,
vários trechos da minha vida, felizes, simples, me mostrou o ultimo abraço que dei em meu pai,
me levou até meu aniversário de 7 anos ...
mostrou o dia que senti que o amor existia em mim.
tudo, eu vi tudo e a ultima era o dia de hoje,
onde estive irritada, briguei com minha mãe, falei alto com minha vó, ignorei minha irmã.
nessa hora sem notar lágrimas rolaram sobre minha face.

Olhei pra ela, e ela sorriu pra mim.
e sussurrou no meu ouvido algo que jamais vou esquecer.
depois disso virou-se e partiu.
e eu retornei ao meu quarto, frio e solitário.

Mas com a alma renovada, feliz ...

Agora só sobrou saudade, daquele lindo rosto, que me mudou por completo.

 ~~

Criado dia 20/01/2011
21:49

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Eterna e cansativa confusão

Cada detalhe,
cada mágoa, decepção, tristeza, aflição, agonia e desespero ...
juntos, em uma só pessoa, durante dias, semanas, meses e anos,
viver com isso cada segundo de um dia é torturante,
busco em vão um repouso, uma brecha de paz ...
as vezes à encontro em um abraço embalado de amor,
em um momento de um dia comum,
em uma frase simples e completa,
um olhar compreensivo,
mas tudo isso é tão curto, tão efêmero ...
que todas as esperanças e expectativas criadas vão por agua abaixo,
sem que eu possa notar,
sem tempo de pedir que dure apenas mais um instante
e quando dou por mim passou ... se foi !

Crio e recrio sempre esses pequenos momentos de felicidade,
mas o resultado sempre é o mesmo,
e a confusão chega tão depressa, pesada, sufocante ...
o que, o que esta errado ?
encontro a resposta,
junto dela esta um ódio enorme,
uma vontade de ser qualquer coisa,
uma borboleta, um pássaro ...
qualquer coisa, menos quem sou.
essa pessoa cheia de pequenas e significantes marcas de outrora,
marcas estranhas, ruins ... desagradáveis.

O desespero é tão grande que clamo ajuda dos céus,
uma voz, uma luz que mostre o caminho ...
forças, forças que não tenho mais,
desespero, amargo desespero.

e assim sigo,
tentando fazer dessa vida fantasiosa, algo mais doce, belo de se viver,
porque sei, por mais que demore encontrarei o jeito certo de fazer todas as coisas funcionarem.